Estudo diz que medidas de rigor fiscal afetaram reação do SUS ao novo coronavírus

Estudo diz que medidas de rigor fiscal afetaram reação do SUS ao novo coronavírus

 Levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) aponta que, em 2019, o Sistema Único de Saúde (SUS) teve verba semelhante a do ano de 2014.

 Por G1

 23/04/2020 17h51  Atualizado há 11 minutos

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) aponta que as medidas de rigor fiscal e a aprovação da Emenda Constitucional do Teto de Gastos reduziram políticas sociais que poderiam proteger a população mais vulnerável durante a pandemia de Covid-19, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o relatório, a falta de leitos nas UTIs do Ceará e do Amazonas são exemplos das consequências de congelamento de verbas. Em 2019, o setor de saúde teve investimentos semelhantes com a verba do ano de 2014, o que não é suficiente para atender a atual população do país, de acordo com o levantamento.

“Se em 2019 o governo tivesse aplicado a mesma porcentagem que utilizou em 2017 (15% da receita corrente líquida de cada ano), a Saúde teria um Orçamento R$ 20,2 bilhões maior. Com o Orçamento congelado por 20 anos, o prejuízo ao SUS pode ultrapassar R$ 400 bilhões. O valor investido por pessoa, que chegou a R$ 595 em 2014, passou a ser de R$ 555, em 2020”.

No Ceará, segundo a Secretária Estadual da Saúde, o número de leitos nos hospitais está perto do limite, e 100% das vagas de UTI estão ocupadas. O estado já teve cerca de 260 mortes confirmadas por Covid-19 e mais de 4.500 casos confirmados.

Já o Amazonas se aproxima do colapso no sistema público, na quarta-feira (22) leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com o novo coronavírus já chegaram a 91% de ocupação, segundo informou a Secretaria de Saúde do estado.

Segundo o relatório, do ano de 2014 até 2019 ocorreram cortes de 28,9% nas despesas discricionárias dos programas sociais do país. Só no período entre 2018 e 2019, a queda nos gastos sociais chegou a 8,6%.

Outras áreas que sofreram congelamentos

Segundo o relatório, outros setores dedicados a políticas públicas também sofreram cortes drásticos nos últimos anos.

O setor voltado para políticas de Igualdade Racial e de Gênero foi o mais afetado pelos cortes em 2019. A variação do orçamento para igualdade racial teve queda de 45,77% em comparação com 2018. Se considerado o período de 2014 a 2019, a queda real dos recursos nessa área é de 81%.

O mesmo aconteceu com as políticas para as mulheres, cujo orçamento caiu 75%.

Já o dedicado a Saúde Indígena teve perda de R$ 280 milhões de 2018 para 2019.

O Programa de Educação de Jovens e Adultos (Eja) teve os recursos reduzidos de R$ 76 milhões para R$ 2,4 milhões em 2019.

Saúde à Criança a ao Adolescente, Violência Sexual, Educação, Meio Ambiente, Trabalho Infantil e Programa Nacional de Educação (PNE) também sofreram reduções drásticas.

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/04/23/estudo-diz-que-medidas-de-rigor-fiscal-afetaram-reacao-do-sus-ao-novo-coronavirus.ghtml

 

 


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