Economia será o motor das eleições em 2022

Economia será o motor das eleições em 2022

Os brasileiros, no geral, aparentam não estar muito empolgados com as eleições de 2022. Existe um certo cansaço e apatia em relação ao assunto, já que a última escolha presidencial – salvo entre os 20% fiéis a Jair Bolsonaro – descontentou a maioria e causou ojeriza ainda maior à política.

Ressalva feita, há apenas um tema que parece incomodar a população e fazê-la realmente mover-se na procura de outros candidatos: a economia. Nesse sentido, o slogan “É a economia, estúpido!”, do marqueteiro James Carville, se encaixa perfeitamente ao atual cenário brasileiro. Carville e seu famoso slogan foram responsáveis por guiar Bill Clinton à vitória nos Estados Unidos contra a reeleição de George Bush (pai) em 1992. A máxima partiu do argumento de que os americanos, naquele momento, se importavam muito mais com a economia em baixa do que com o triunfo da guerra do Golfo, mote de Bush.

Em meio à pandemia e seu saldo de mais de 600 mil mortos, ou mesmo à escandalosa criminalidade política, não tem sido a saúde ou a corrupção a maior preocupação dos brasileiros. Pesquisas recentes de opinião indicam que a economia é o assunto que mais causa angústia na população do país hoje.

A última pesquisa Genial/Quaest mostra que desemprego, inflação, fome e outros temas econômicos são os principais pesadelos nacionais. O levantamento aponta que para 41% dos entrevistados, a economia é a principal preocupação no momento, seguida de pandemia (19%) e questões sociais (14%). A corrupção, tema mais em voga nas turbulências pré-eleitorais, foi lembrada apenas por 10% dos eleitores. Sete em cada 10 brasileiros dizem que a economia piorou no último ano, sob o governo Bolsonaro, cuja aprovação desce ladeira, com menos de 20%.

No detalhamento dos fatores econômicos, o desemprego é o motivo de preocupação mais citado pelos entrevistados, representando 18% das respostas. Em seguida, aparece o crescimento econômico, com 14%. A inflação atinge 9%.

Além disso, os brasileiros parecem não vislumbrar melhorias no quadro econômico a médio prazo. A esperança é um sentimento que cai a cada mês no país. Às vésperas das festas de fim de ano, somente 41% dos entrevistados disseram ter expectativa de melhora da situação nos próximos seis meses. Em agosto, 50% ainda acreditavam.

Inflação maior, PIB menor, desajuste fiscal, juros altos e muita instabilidade política formam o cenário colocado para 2022. Mesmo que a economia ganhe alguma tração, os brasileiros não recuperarão seu padrão de vida antes de 2028, segundo a última estimativa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). O PIB per capita deve encerrar este ano em R$ 36.661, 3,8% acima do ano passado. Se o cálculo se confirmar, o indicador ainda estará 1% abaixo do valor registrado em 2019 (R$ 36.969), antes da pandemia. Ficará 7,7% abaixo do pico histórico medido em 2013 (R$ 39.685). Ou seja: para isso seria necessário um ciclo virtuoso, nada que esteja sendo preparado no momento. Ao contrário, uma piora em 2022 não está descartada.

Os brasileiros comuns nem precisam de tantos dados para perder o sono com a economia. A começar pela comida: os preços vão continuar subindo no próximo semestre, do pãozinho da padaria aos grãos; é previsto algum alívio só no segundo semestre, se tudo der certo. Energia elétrica, combustíveis e serviços também sobem, como já foi anunciado. Para complicar um pouco mais, o pior dos pesadelos, o desemprego, não dá sinal de recuo. A perspectiva do aumento de desemprego cresce com a queda do PIB.

Mesmo assim, governo, adversários eleitorais e parlamentares têm feito ouvidos moucos e boca serrada. Quase nada se escuta do governo e tampouco dos adversários sobre propostas reais para geração de empregos, planos de crescimento, estratégias econômicas, nada.

Os erros da política econômica, a instabilidade política criada pela antecipação da disputa eleitoral, a falta de novos projetos econômicos e a condução atabalhoada das questões econômicas no Congresso, com os parlamentares empenhados em obter vantagens na distribuição de verbas, cobram um preço alto e estão tirando o sono e a esperança dos brasileiros.

O sábio Ariano Suassuna brincou uma vez sobre as obviedades: “em volta do buraco, tudo é beira”. Ainda temos a possibilidade de mudar algum caminho antes de despencar no buraco. Pode ser este o momento de se pensar alto e mais corajosamente.

*Fernando Cavalcanti é economista e vice-presidente do Nelson Willians Advogados

*Fabio Araújo é economista, especialista em economia urbana e engenharia financeira

https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/economia-sera-o-motor-das-eleicoes-em-2022/


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