Coronavírus altera rotina em maternidades

Coronavirus

Coronavírus altera rotina em maternidades e obriga mães a abraçarem o incerto

Redação Vida e Estilo

Por Alana Ambrósio

“O que era sonho virou pesadelo”.

É assim que a assistente de caixa Ruth Lopes, de 26 anos, descreve o sentimento diante da aproximação do parto da terceira filha em meio a pandemia do novo coronavírus. Eloíse nasce no fim de abril e, pela primeira vez, Ruth teria a companhia do pai da criança num dia tão especial. A jovem virou mãe ainda adolescente, aos 16 anos, e criou, sozinha, dois pequenos antes de conhecer o atual marido.

Por causa da preocupação com o coronavírus, duvida que Renato será autorizado a estar junto dela na Santa Casa de Misericórdia de Guaxupé, no sul de Minas Gerais, quando der à luz.

“Estou com muito medo, em pânico mesmo, tem quatro noites que não durmo pensando em ficar sozinha durante  o parto; me deixa angustiada, sonhei muito com isso, porque não tinha os pais dos bebês presentes antes. Esta seria minha única oportunidade, pois vou fazer laqueadura”.

O direito a um acompanhante durante o parto é garantido por lei federal. Mas o momento é atípico e, na tentativa de restringir o número de pessoas nos hospitais, já há relatos de proibições. A advogada especialista em direito médico, Fernanda Zucare, entende que o procedimento pode ocorrer:

“A maternidade pode negar, neste momento de pandemia, que o pai assista ao parto do filho, isso porque o ambiente hospitalar é mais propício para a contaminação. Além disso, a maternidade teria que dispor de um equipamento de proteção individual para o pai da criança e deixaria um profissional da saúde sem”.

Ruth está em isolamento desde maço. Evita ir ao médico mesmo quando sente dores. E só se arrisca nas andanças para ir ao pediatra – de máscara e com um paciente por vez na unidade de saúde. Como fará o procedimento pelo SUS, ainda não sabe se o parto será normal ou por cesárea.

“Ter a minha terceira filha vai ser muito diferente do que estava acostumada. O que é sempre um momento tão especial de reunião com visita de avós, amigos, madrinha, será época de resguardo.”

Os estudos sobre os riscos do novo coronavírus para gestantes ainda são poucos, mas o que se sabe até agora é que elas não são mais suscetíveis à doença nem transmitem a Covid-19 para os bebês pela placenta ou aleitamento. Ainda assim, o isolamento social é recomendado, conforme Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein:

“Com base em outros casos de epidemias e surtos do passado, é melhor evitar ao máximo a exposição. Durante a gravidez a mulher já tem menos supressão viral. Então, ela fica mais sujeita a doenças como influenza, gripes, tanto é que gestantes figuram no grupo de risco de diversas doenças”.

MUDANÇAS À VISTA

 Quando Marcelo crescer, vai ouvir as histórias sobre o dia em que nasceu, enquanto uma pandemia consternava o mundo. A mãe dele, a gestora de RH Alcione Gonçalves, não podia imaginar que o parto tão minuciosamente planejado seria como foi. Aos 40 anos, sua gravidez era considerada de alto risco. Uma cesárea foi a opção escolhida por causa da presença de miomas no útero.

“Logo que surgiram os casos de coronavírus aqui no Brasil fiquei insegura, cogitei trocar o hospital, adiantar a cesariana para não pegar o pico da doença…”

A bolsa de Alcione rompeu uma semana antes de qualquer decisão ser tomada. O bebê nasceu no dia 23 de março no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e até hoje nenhum familiar, além dos pais, pôde conhecê-lo. A maternidade suspendeu visitas para minimizar o risco de contaminação.

Outras medidas preventivas também foram implantadas. A entrada das gestantes é separada dos demais pacientes. Uma triagem determina a possibilidade de contágio e para qual ala a mãe será levada. As salas de parto foram equipadas com um aparelho que reduz a pressão atmosférica em relação ao exterior. Na prática, isso evita a saída do ar para as demais áreas da unidade de saúde.

“Não me deixaram nem sair do quarto para caminhar depois da operação, o que é superimportante. O Marcelo quase não ficou no berçário, como é comum, passou praticamente todo o tempo com a gente. Saiu só para passar com o pediatra, tirar sangue e fazer alguns exames; tudo pra reduzir o contato mesmo. Até a caneta que usei para assinar documentos foi “lavada” com álcool em gel; toda a equipe de enfermeiros, atendentes, manobristas estavam de máscara…muito diferente do que imaginava que seria.”

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