Conheça setores e empresas que seguem vivos e fortes na crise

Conheça setores e empresas que seguem vivos e fortes na crise

 Giulianna Iodice e Juliana Andrade

7 de setembro de 2020 Negócios

A crise provocada pelo coronavírus sacudiu a economia mundial – e pegou o Brasil no contrapé de sua tentativa de retomada. A maioria dos negócios está sofrendo as consequências. Mas, como em toda crise, alguns setores se mantiveram em pé ou até se fortaleceram, vislumbrando novas portas se abrindo (fazendo jus ao não muito simpático ditado “enquanto uns choram, outros vendem lenços”).

O ensino a distância, por exemplo, tornou-se a única opção viável para que as aulas continuassem – e o bilionário Jorge Paulo Lemann já afirma que a modalidade continuará relevante para o país mesmo depois da pandemia.

A telemedicina, que há tempos aguardava sinal verde para sair do papel, foi regulamentada em caráter emergencial – e está sendo fortemente demandada.

Com as pessoas confinadas em suas casas, ferramentas tecnológicas tornaram não só o ensino e a medicina mais acessíveis, mas também possibilitaram em larga medida o trabalho e as interações sociais. Resulta daí que nunca se enfatizou tanto a importância da tecnologia em nossas vidas. “O setor de tecnologia vive uma estabilidade virtuosa”, define Sergio Paulo Gallindo, presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Soluções ligadas ao agronegócio (setor que, por sua relevância, será abordado em profundidade nas próximas edições) estão entre as mais bem-sucedidas no semestre.

Neste primeiro mapeamento da Forbes dos setores mais resilientes ao cenário atual, ganham destaque os escritórios de advocacia. Eles são e serão os responsáveis por auxiliar muitas empresas a encontrar as melhores alternativas tributárias, trabalhistas e judiciais para que elas tenham fôlego até que a vida volte ao normal.

ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA

O cenário econômico desfavorável para muitos setores da economia aqueceu a demanda pelos serviços advocatícios no país. Várias empresas nacionais, seguindo uma tendência mundial, abriram processos de recuperação judicial nos últimos dois meses. Os pedidos estão estreitamente ligados à queda do PIB – no caso brasileiro, a projeção é de 8%, segundo o Banco Mundial. Assim, a estimativa é que o número de aberturas de processos de recuperações judiciais seja mais que o triplo do registrado em 2019, chegando próximo aos 5 mil. Atualmente existem no país 7.200 processos ativos e 220 pedidos de falência, conforme declarou o secretário especial da Fazenda Waldery Rodrigues em entrevista coletiva no dia 28 de maio. Na primeira semana de junho, por exemplo, a varejista de moda Restoque protocolou sua recuperação extrajudicial no valor de R$ 1,5 bilhão; a Colombo, que atua no mesmo segmento, pediu recuperação judicial de R$ 1,8 bilhão.

A Dasa Advogados, especialista em RJ, instituiu em um trimestre cinco novos processos e está executando outros dez – em um ano convencional, segundo o sócio-fundador Carlos Deneszczuk, são feitos no total 20 processos. “O tsunami vem realmente em agosto. Agora está tudo parado, a Justiça está travada e ainda não veio o verdadeiro reflexo da crise. Ela vai se agravar por, no mínimo, dois anos. A demanda por nossos serviços vai crescer”, afirma Deneszczuk.

Uma decorrência das recuperações judiciais são as oportunidades para a comercialização de distressed assets (ou ativos podres), como aponta o escritório Lacaz Martins, Pereira Neto, Gurevich & Schoueri Advogados. “É uma questão de preço. Muitos negócios que não foram adiante antes e agora estão sendo revistos se tornaram atrativos por terem um preço mais baixo”, explica o sócio Sérgio Marcon, especializado em fusões e aquisições. “É um momento de extrema necessidade de liquidez, um ambiente favorável para investidores comprarem carteiras de distressed assets. Para os escritórios de advocacia, acaba surgindo um mercado interessante”, comenta o advogado Luiz Friggi, especialista em litigioso. Entre março e maio, o número de projetos do Lacaz Martins dobrou em comparação ao mesmo período de 2019.

“Essa crise difere muito de outras porque nas outras eram apenas alguns setores impactados, e era muito difícil a parte não afetada sentar para negociar. Agora todo mundo, com maior ou menor intensidade, está sofrendo”, afirma Maria Helena Bragaglia, sócia do Demarest Advogados. Com isso, o papel do contencioso é reaquecido, pois muitos processos tinham sido paralisados em razão da pandemia. A advogada lembra que áreas diferentes do direito viram suas demandas aumentarem no período: no início da pandemia, por exemplo, a trabalhista foi a mais movimentada.

O advogado Rodrigo Da Costa Marques, coordenador do núcleo trabalhista da Nelson Wilians, lembra que é previsto por lei que funcionários possam ajuizar ações contra seu empregador até dois anos após o término do contrato, e dois cenários são mais recorrentes: “Aquele funcionário que não pensava em ajuizar a ação e que teve seu contrato rompido antes da crise, em virtude do atual momento, vê na Reclamatória Trabalhista uma possibilidade de renda; e os funcionários que foram demitidos por causa da pandemia também passaram a entrar com ações”. O escritório registrou um aumento de 50% da demanda em maio de 2020 em relação ao mesmo mês de 2019.

Fonte: Forbes Brasil

 


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