Como robôs e IA impactam escritórios de advocacia

Como robôs e IA impactam escritórios de advocacia

Por: Luiz Victor Cândido e João Pedro Lemos

Já o relatório “Future of Professionals 2024“, da Thomson Reuters, sugere que a automação suportada por inteligência artificial (IA) poderá economizar até 12 horas por semana para cada profissional nos próximos cinco anos, ressaltando a importância dessa tecnologia na reformulação das rotinas nos escritórios de advocacia.

No atual cenário de alta dinamicidade e complexidade, os profissionais da advocacia enfrentam a gestão de volumosos dados, incluindo atividades como a elaboração de petições, o controle rigoroso de prazos processuais e a confecção de relatórios direcionados aos interesses dos clientes. Nesse contexto, a automação revela-se um marco transformador, proporcionando vantagens práticas e estratégicas.

Ao viabilizar a execução ágil e precisa de tarefas repetitivas, como o processamento de documentos e a atualização de bases de dados, a automação permite que os advogados direcionem sua atuação para atividades de maior valor estratégico, tais como a análise aprofundada de casos complexos e o atendimento personalizado ao cliente, fortalecendo a conexão e ampliando as oportunidades de networking.

No âmbito jurídico, onde falhas podem acarretar consequências significativas, a automação desempenha um papel essencial na redução de erros e na otimização das operações. Segundo dados apresentados pela Legal Services Corporation, a implementação de ferramentas automatizadas pode reduzir a taxa de erros em documentação para menos de 10%, resultado especialmente relevante num setor suscetível a falhas manuais. A padronização de tarefas essenciais, como revisões documentais e cálculos processuais, contribui para assegurar maior conformidade regulatória e precisão técnica.

Além disso, os sistemas automatizados demonstram elevada eficácia na gestão de prazos e atividades, permitindo o monitoramento contínuo de prazos processuais e o envio de alertas preventivos. Essa funcionalidade não só minimiza os riscos de perdas, como aprimora a qualidade do atendimento aos clientes, fortalecendo a credibilidade e a eficiência da atuação jurídica.

Mapear tarefas repetitivas

A automação no setor jurídico é impulsionada por tecnologias como Robotic Process Automation (RPA) e inteligência artificial, que proporcionam um nível de autonomia sem precedentes aos sistemas. A implementação dessas soluções começa com a identificação e mapeamento de tarefas repetitivas, permitindo a análise dos fluxos de trabalho para detectar gargalos e ineficiências. Com isso, atividades como a classificação de documentos e o controle de prazos podem ser priorizadas para automação, aumentando a eficiência operacional e a conformidade com as regulamentações.

Além de melhorar a eficiência interna, o uso de chatbots e assistentes virtuais transforma o atendimento ao cliente, oferecendo suporte contínuo e respondendo rapidamente a perguntas frequentes. Essa abordagem resulta em uma experiência mais satisfatória para os clientes e eleva a percepção da qualidade do serviço. Ademais, ao reduzir custos operacionais e diminuir o tempo gasto em tarefas manuais, os escritórios conseguem gerenciar maior número de casos sem aumento proporcional nas despesas, permitindo atuação mais ágil das áreas e possibilitando o reinvestimento em setores estratégicos do negócio.

Um levantamento da PwC revela que a adoção de tecnologias de automação pode resultar em uma queda de 20% a 30% nos custos operacionais, permitindo a realocação de recursos em áreas estratégicas. Esses dados reforçam como a integração da automação e da IA não só melhora a eficiência operacional, mas também proporciona uma gestão financeira mais sólida e competitiva no setor jurídico.

A automação no setor jurídico requer um planejamento estratégico que alinhe os objetivos dos escritórios ao desenvolvimento das habilidades dos advogados, e suas vantagens são indiscutíveis. Apesar dos desafios, com os custos iniciais e resistência à mudança, o investimento em automação é crucial para a evolução digital na área.

A expectativa é que a inteligência artificial vá além das funções operacionais, proporcionando insights mais sofisticados para decisões jurídicas. Dessa forma, a automação não apenas preserva, mas transforma o papel dos advogados, permitindo que eles unam expertise técnica e estratégica para oferecer soluções inovadoras, destacando a importância da integração entre tecnologia e talento humano em um ambiente jurídico em constante mudança.

Luiz Victor Cândido é advogado, sócio do Fragata e Antunes Advogados, especialista em gestão estratégica nas áreas de contencioso cível, direito tributário, bancário e consumeristas.

João Pedro Lemos é líder da equipe de dados e estratégia do Fragata e Antunes Advogados e especialista em gestão estratégica de negócios, automação e RPA, com foco em otimização de fluxos e inovação no setor jurídico.

Leia em Consultor Jurídico (ConJur)


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