Volume de recuperações judiciais cresce no 1º tri e volta a bater recorde
As recuperações judiciais bateram novo recorde no primeiro trimestre deste ano. Havia, no fechamento do período, um total de 5.931 empresas em processo de reestruturação no país, o que representa crescimento de 4,4% em relação ao trimestre anterior e de 22% na comparação anual. Entre janeiro e março, 319 pedidos foram deferidos, que somam R$ 18 bilhões em dívidas.
Os dados são do Monitor RGF de Recuperação Judicial, feito pela consultoria RGF & Associados. Essa é a 11ª alta consecutiva desde o início da série histórica do levantamento, que começou a ser feito no segundo trimestre do ano de 2023.
Nos casos em que não é possível recuperar o negócio, o Judiciário tem estado mais atento para não protelar a recuperação indefinidamente, completa Vamilson José Costa, sócio do Costa Tavares Paes Advogados. Segundo o Monitor RGF, a proporção de empresas que vai à falência após a recuperação se estabilizou em 29%. Os outros 71% conseguiram voltar a operar sem supervisão judicial.
Costa afirma que, aos poucos, é possível apontar um movimento de “remoralização” dos institutos da recuperação judicial e extrajudicial. “É preciso trazer o recurso da recuperação de volta ao seu objetivo, que é recuperar o que é possível recuperar. A lei não foi feita para o que não tem salvação.”
Para os trimestres seguintes, no entanto, segundo os especialistas, a perspectiva não é de melhora. O corte da Selic de 15% para 14,75% deve ter impacto limitado, diz Vamilson Costa. “Mesmo que os juros baixassem para 14%, ainda é inviável para qualquer ramo de negócio.”
Eventual redução dos juros, acrescenta o advogado, também seria eclipsada pela alta no preço dos combustíveis, fertilizantes e defensivos devido às restrições causadas pela guerra no Irã, o que torna o cenário especialmente desafiador para o agronegócio.
