Volatilidade desafia a indústria de resseguros
A indústria de resseguros no Brasil passa por uma transformação que envolve a busca por produtividade, revisão da gestão de riscos, o avanço tecnológico e a abertura de novas fontes de capital. Esse cenário reflete tanto a demanda do setor por maior solidez quanto os desafios de adaptação a um ambiente global volátil.
Ao contrário do mercado de seguros, o segmento de resseguros opera com dinâmicas próprias, moldadas por tendências internas e externas. A cautela com relação aos país é influenciada por incertezas econômicas, pressões regulatórias e pela excessiva dependência da receita de investimentos para impulsionar a lucratividade.
Para enfrentar eventos extremos e a volatilidade econômica e geopolítica, as empresas de resseguros estão focadas em fortalecer suas reservas e revisar os modelos de subscrição. “Há equilíbrio entre inovação e disciplina técnica, que garante eficiência operacional sem abrir mão da solidez financeira, essencial em um cenário de riscos cada mais complexos”, diz Maria Fernanda Pastorello, sócia da Pellegrina & Monteiro Advogados.
Estudo da Revision [Re]search, patrocinado pela Associação Brasileira das Empresas de Corretagem de Resseguros (Abecor), mostra que o volume de resseguros apresentou comportamento peculiar nos últimos cinco anos. O Brasil perdeu força na exportação e reduziu a produção interna, o que gerou maior dependência na importação de resseguro.
A verticalização com a operação de seguradoras e resseguradoras do mesmo grupo consolida-se como estratégia e, apesar dos benefícios, levanta questionamentos sobre concorrência com grupos brasileiros, diversificação de riscos e os impactos na poupança interna. “Quando uma fatia significativa do prêmio vai para empresas estrangeiras do mesmo grupo, temos a saída de recursos que poderiam ser reinvestidos no país, reduzindo a capacidade de enfrentar grandes sinistros com capital doméstico”, afirma Pastorello.
