Ranking Análise Advocacia 500

Dissecando o ranking Análise Advocacia 500

Em transmissão ao vivo no YouTube, feita na última quinta-feira (20/8), a equipe da Análise Editorial, que publica o ranking Análise Advocacia 500, falou sobre sua metodologia de trabalho e respondeu algumas perguntas. 

Para quem não conhece, a Análise Advocacia 500 é o ranking de escritórios com a maior abrangência do mercado nacional, com cerca de 8 mil bancas monitoradas. A publicação lista os mais indicados pelos executivos jurídicos das maiores empresas do mercado, divididos por área de atuação. Isso quer dizer que nenhum escritório pode se “incluir” na lista. Só diretores e gerentes jurídicos respondem a pesquisa e, portanto, “colocam” ou “tiram” participantes. E não é obrigatório que os advogados votados tenham trabalhado para os pesquisados. Nem há restrições geográficas para os votos. 

Vale lembrar que a pesquisa não tem como objetivo determinar quais escritórios são melhores, mas sim quais são os mais admirados — ou lembrados.

A “live” foi organizada como parte das comemorações pelo aniversário de 15 anos da publicação anual e teve a participação do sócio Alexandre Secco, dos diretores Silvana Quaglio e Alexandre Raciskas, da gerente de pesquisa Ligia Donatelli e da coordenadora de conteúdo Anna Romano.

Quem vota

Os entrevistados pelo ranking são diretores e gerentes jurídicos de empresas com receita líquida de pelo menos R$ 406 milhões no último balanço e das mais representativas de setores específicos da economia. Por isso, atenção: advogados que se comunicam diretamente com os CEO’s das empresas, sem passar pelo jurídico, podem ficar para trás. Assim como os fundadores dos escritórios, que não interagem com esses executivos com frequência. A lista dos votantes, que representam mais de 2 mil empresas, pode ser conferida em outra publicação conhecida da editora: a Análise Executivos Jurídicos e Financeiros

Por isso, é óbvio que apenas escritórios que prestem serviços que interessam a grandes empresas é que têm chances de entrar no jogo. 

Os questionários 

A pesquisa é feita em questionário aberto, ou seja, não são oferecidos nomes à escolha. Os executivos indicam, por ordem de admiração, até três nomes de escritórios e depois até três nomes de advogados, para cada uma das 19 especialidades pesquisadas. Daí, segundo o sócio Alexandre Secco, é que podem ocorrer distorções, como maior votação para um advogado que não atua na área em que foi escolhido — crítica que ficou conhecida no mercado em pelo menos uma edição do passado. 

Também não é possível interferir na pesquisa. Os dados são transportados exatamente como recebidos, com apenas uma checagem prévia de erros — como de escritórios homônimos, por exemplo. Assim, entrar em contato com a revista para votar ou ser votado não funciona. “Tenho todos os contatos dos executivos jurídicos e sempre somos nós que ligamos”, avisou Ligia Donatelli. Esse critério garante que o pesquisador está de fato falando com o executivo correto.

Os entrevistados, aliás, também não podem mudar seus votos depois do prazo de validação. 

Escritórios já no banco de dados da revista devido a indicações passadas são convidados a responder um questionário à parte, para atualização. Quem quer tirar dúvidas sobre o convite pode mandar um e-mail para maisadmirados@analise.com.  

Não há como pagar para aparecer na pesquisa. O departamento comercial da revista só atua na seção chamada “Diretório da Advocacia”, onde é possível comprar espaço e é, segundo Alexandre Raciskas, a forma como a publicação se financia.

O que fazer para entrar no ranking?

Visibilidade é o segredo do sucesso, segundo a diretora Silvana Quaglio. “É preciso se fazer presente. Quem não é visto, não é lembrado”, resumiu ao responder uma pergunta da Original 123 sobre quais critérios, em sua opinião, mais influenciam os entrevistados. Entre eles ela listou a qualidade dos serviços, a qualidade do atendimento (as trocas de responsáveis pelos casos deixam as empresas inseguras), o preço, a estrutura e o que chamou de “encantamento”. “A admiração pode ser por quem jamais prestou serviços, por exemplo”, disse. 

A recomendação merece uma explicação técnica: é muito bom para um escritório ser lembrado sem ter de fazer esforço de divulgação. O cliente que chega pela indicação de alguém elimina a etapa do convencimento e é muito mais receptivo a orientações. Mas num mundo em que advogar é uma atividade cada vez mais competitiva e equiparada, mostrar as habilidades ao mercado pode fazer a diferença.

Ninguém quer, contudo, abandonar a seriedade da profissão. Afinal de contas, advogar é uma atividade essencial à Justiça, segundo a própria Constituição. Não é como vender bugigangas. Por isso, é preciso escolher os caminhos mais requintados. A imprensa, por exemplo, tem os mais altos índices de confiança dos brasileiros, principalmente após a pandemia de Covid-19. Por que não investir tempo e energia em levar opiniões e informações úteis aos repórteres? Afinal de contas, ser mencionado em uma reportagem como especialista em determinado assunto pode aumentar a confiança dos atuais clientes e chamar a atenção de quem precisa de alguém exatamente com aquela opinião.

Além de prestar uma boa assessoria jurídica e estar presente na imprensa, os escritórios precisam fazer mais para se destacar. Em seu livro Como vender valor no mercado jurídico, o consultor Bruno Strunz desnuda a comoditização do setor jurídico e revela como chegamos ao momento em que a qualidade do serviço já não é um diferencial. 

Daí a importância de um bom planejamento de comunicação, que contemple formas efetivas de impactar o cliente do escritório, a depender de suas preferências. O cardápio inclui mídias sociais, boletins e relatórios em vídeo ou por escrito, notícias comentadas, artigos de opinião e, principalmente, padronização do atendimento pela equipe da banca. São exemplos de ações que fazem com que o cliente se sinta cuidado e único.

Relatório detalhado

Muitas das informações levantadas pela pesquisa do Análise Advocacia 500 não entram no anuário. Mas é possível ter acesso a elas, mediante pagamento. O relatório detalhado mostra o desempenho da banca em relação ao mercado; se o escritório foi votado em outras áreas de atuação; e se outros advogados do escritório foram lembrados, mesmo que não tenham atingido a nota de corte para serem citados. Também abre qual foi a nota de corte para o pódio e quanto faltou para o escritório atingi-la, além de trazer informações sobre as regiões do país e os setores da economia em que a banca foi reconhecida. Para a proteção da pesquisa, porém, em nenhuma hipótese é possível saber o nome da empresa ou do executivo que votou. 

Não é preciso dizer que um levantamento desse porte serve como ferramenta de autoanálise, gestão e tomada de decisão dos escritórios. Ele permite consertar erros de foco, reforçando áreas ainda sem o reconhecimento esperado, e investir em talentos ainda não percebidos pela banca, mas já notados pelo mercado, por exemplo. 

 


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