MP processa Tools for Humanity em R$ 240 milhões por coleta da íris no caso worldcoin

MP processa Tools for Humanity em R$ 240 milhões por coleta da íris no caso worldcoin

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) processou a startup Tools for Humanity e a Amazon Web Services pela coleta da íris de paulistanos mediante pagamento da criptomoeda worldcoin. O MPSP pede uma indenização de R$ 240 milhões à coletividade por danos morais.

A ação civil pública acusa a empresa de “práticas abusivas” na coleta de dados biométricos da íris, em especial pela atração de “pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, devido à entrega de compensação financeira a quem participasse.

Em 2024, a Tools for Humanity trouxe dispositivos chamados de orbes para o Brasil, que tiram fotos em alta definição dos olhos das pessoas para fazer o que a companhia chama de “prova de humanidade”. A ideia é que como o padrão da íris é único, a coleta da biometria permitiria provar com certeza que uma pessoa é um humano e não uma inteligência artificial.

Isso serviria para criar uma identidade digital única (chamada de World ID) de cada pessoa para utilização em cadastros. O aplicativo de relacionamentos Tinder é uma das empresas que tem parceria com a Tools for Humanity para usar o World ID como ferramenta de segurança biométrica contra perfis falsos.

Na época em que os orbes estiveram no Brasil, a empresa prometia pagar 53 unidades da moeda digital WLD a quem aceitasse ter os olhos escaneados. Na época, essa quantidade de criptomoedas equivalia a R$ 675.

CPI da íris

No processo movido pelo MP, a promotora de Justiça Patrícia Leitão pede a preservação de todos os dados, registros e metadados relacionados ao processamento das informações das pessoas que tiveram os olhos escaneados. A Amazon aparece na ação por ser a responsável pela hospedagem dos dados.

[…]

Falta de clareza

Segundo Hítalo Silva, sócio da área de compliance empresarial do WFaria Advogados, uma das diferenças da coleta da íris pela Tools for Humanity para o escaneamento facial que as pessoas habitualmente fazem na portaria de prédios é a clareza sobre o propósito.

“Em portaria ou app, a biometria costuma ter a finalidade específica e proporcional, enquanto no World ID a coleta alimenta um projeto econômico global de criptoativo, o que o MP trata como publicidade enganosa por omissão, já que foi apresentado como iniciativa ‘humanitária'”, explica o advogado.

Para Silva, é importante auditar a tese técnica da empresa, que diz não reter os dados coletados, mas isso não seria o bastante para corrigir os problemas que existem na operação, como o consentimento via monetização.

A EXAME procurou a Tools for Humanity para posicionamento, mas a empresa fechou operações na América Latina, segundo uma fonte.

A AWS, por sua vez, afirmou que tem “termos de serviços claros” e exige que seus clientes utilizem os serviços em conformidade com as leis aplicáveis. “Quando recebemos denúncias de possíveis violações de nossos termos, agimos rapidamente para analisar e tomar medidas para desabilitar conteúdo proibido. Se alguém suspeitar que recursos da AWS estão sendo usados para atividades abusivas, é possível reportar à equipe de AWS Trust & Safety”, respondeu a empresa.

Um dos fatores que chamou atenção para o projeto World é que ele foi criado por Sam Altman, CEO da OpenAI, a empresa responsável pelo ChatGPT.

Leia a íntegra em Exame


Posts relecionados

Logo Folha
Leilão que promete mais um recorde para Tarsila pode ser barrado pela Justiça

Márcio Casado, advogado de Carlos Eduardo, afirma que entrará nesta quarta-feira com uma...

Inaplicabilidade da equidade para reduzir honorários em ações contra a Fazenda Pública

Tema recorrente nos Tribunais diz respeito à possibilidade de aplicação da equidade como...

Fale conosco

Endereço
Rua Wisard, 23 – Vila Madalena
São Paulo/SP
Contatos

(11) 3093 2021
(11) 974 013 478