Empresas que não oferecem home office perdem preferência

Empresas que não oferecem home office perdem preferência de funcionários, aponta pesquisa

Levantamento de consultoria de RH aponta que possibilidade de trabalho remoto virou atrativo para trabalhadores.

Por Will Soares, TV Globo — São Paulo

23/09/2021 19h36 Atualizado há 12 horas

Uma pesquisa feita pela consultoria de RH Robert Half mostra que as empresas que não oferecerem trabalho remoto atualmente estão perdendo a preferência dos trabalhadores, em especial das mulheres.

Entre as entrevistadas, 44% disseram que procurariam outro emprego se o home office fosse encerrado; 31% dos homens fariam igual. E mesmo entre os que não deixariam a empresa por este motivo, o trabalho remoto continua sendo o regime de jornada favorito: 63,8% preferem trabalhar mais dias em casa do que no escritório.

Muitas empresas ainda não definiram como será o esquema de trabalho quando a pandemia for controlada de vez, mas duas em cada três organizações que já chegaram a uma decisão vão adotar um modelo híbrido, conciliando o trabalho presencial com o remoto.

Cássia Boccuto era uma das únicas funcionárias presentes quando a reportagem da série Trampo visitou o escritório da SulAmérica, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital: “Essa semana é o segundo dia que eu estou vindo. Hoje eu vim porque tinha um alinhamento específico. Só se tiver alguma reunião importante. Vim para resolver esse tema, mas já volto para casa e vou continuar trabalhando de lá”.

Segundo Patrícia Coimbra, vice-presidente de capital humano, sustentabilidade e marketing da empresa, isso não deve mudar muito nem com o fim da pandemia, já que só 30% dos funcionários devem retomar o trabalho majoritariamente presencial.

“Em linhas gerais, por ‘presencial’ a gente tá falando de um trabalho de 4 dias na semana, em algum local: um escritório ou uma unidade. E o remoto, a gente tá falando de dois níveis de remoto: o que é quase 100% e você tem reuniões mensais ou a cada dois meses com as equipes, e aquele em que você tem 4 dias em casa e um dia presencial na semana. Os híbridos, a gente vai ter em torno de 3 dias remotos e 2 dias presenciais”.

O advogado Antonio Carlos Aguiar, especialista em direito trabalhista, alerta que até agora o home office tem sido um quebra-galho, por conta do novo coronavírus, e que as empresas que decidirem manter o formato terão de fazer novos contratos com os funcionários.

“Porque o empregado está na casa dele, ele está transformando a casa dele num local de trabalho. E ele não tem essa obrigação originária. Então, a empresa, de outro lado, tem de dar as condições pra tal. Tem que dar internet adequada, tem que dar uma cadeira ergonômica adequada, tem que verificar se tem um espaço adequado… Se não tiver essas condições, não pode existir essa contratação porque vai trazer impactos negativos ao trabalhador.”

Para quem já resolveu a questão da infraestrutura para os funcionários remotos, a preocupação é outra: “A gente vai ter que ter muito cuidado nessa implementação para garantir que as pessoas tenham minimamente uma organização do dia delas, dos combinados. Não ter nenhum agendamento de reuniões antes das 9 horas nem após as 18 horas. E garantir também que no horário do almoço não haja nenhuma reunião”, conta Patrícia Coimbra.

Quando o assunto é a carga horária há quase um consenso: 85,2% dos trabalhadores concordam total ou parcialmente que a carga de trabalho aumentou com o home office e a pandemia, de acordo com um levantamento feito em parceria pela Talenses Group e a Fundação Dom Cabral.

“A gente acaba trabalhando um pouco mais, justamente por esse tempo que a gente tem, essa disponibilidade, né, de já estar aqui [do lado do computador], e a gente acaba estendendo um pouquinho. Mas a gente compensa em outros dias e tudo bem assim”, conta a consultora de projetos Karina Rodrigues – outra que não sabe o que é um escritório há algum tempo.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/09/23/empresas-que-nao-oferecem-home-office-perdem-preferencia-de-funcionarios-aponta-pesquisa.ghtml


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