Embargo à Huawei pode afastar o Brasil da revolução implantada pela China na área da inovação

Embargo à Huawei pode afastar o Brasil da revolução implantada pela China na área da inovação

Por Equipe Comex do Brasil

É nítido que está havendo uma alteração no eixo geopolítico do mundo e essa mudança passa pela Parceria Econômica Regional Estratégica (RCEP, na sigla em inglês) assinada em 15 de novembro pela China e mais 14 países, pelo 14º. Plano Quinquenal, que vai vigorar na China de 2021 a 2025 e em especial pelo “China Standards 2035”, uma verdadeira revolução tecnológica que está sendo elaborada pelo governo chinês e que tem no 5G seu grande propulsor. O Brasil não pode perder o bonde da história e ficar à margem desses ambiciosos processos que vão revolucionar a tecnologia mundial nos próximos anos.

A avaliação foi feita por José Ricardo dos Santos Luz Júnior, CEO do LIDE China, para quem o dinamismo econômico na Ásia e a RCEP são os grandes responsáveis por essas transformações. Segundo ele, “a RCEP, o maior acordo de livre comércio do mundo, surge no vácuo deixado pelos Estados Unidos quando o presidente Donald Trump decidiu retirar o país do Tratado Transpacífico, TPP. A RCEP reforça o multilateralismo e é uma espécie de contrapeso à influência americana na região, sendo importante lembrar que a iniciativa chinesa reúne grandes parceiros dos Estados Unidos, como o Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul”.

Na percepção do especialista, “precisamos estar atentos a esses movimentos para que o Brasil não fique de fora de tudo isso. Até porque está se discutindo no Brasil uma eventual oposição à participação da Huawei no processo de implantação da rede 5G no país, do qual a empresa chinesa não participará diretamente, mas sim como fornecedora de equipamentos para que operadoras como a Vivo, Claro, Tim e Oi participem desse certame. O banimento da Huawei desse processo terá grandes reflexos nas relações entre o Brasil e a China. E além da oposição brasileira ao 5G chinês, há também uma série de críticas diretas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo seu filho e deputado, Eduardo Bolsonaro à vacina chinesa e o apoio brasileiro à iniciativa americana das chamadas “Redes Limpas” que tem por objetivo principal barrar a participação da Huawei na implantação do 5G nos mais diferentes países”.

José Ricardo dos Santos justifica a referência ao 14º. Plano Quinquenal chinês com o argumento de que a inovação continuará sendo peça chave no processo de modernização e autossuficiência chinesa e destaca que isto está presente nos discursos das autoridades do país e ocupa lugar de destaque no 14º. Plano Quinquenal.

Para ele, “falar de inovação é falar sobre a 4ª. revolução industrial, impulsionada pelo 5G, inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT), machine learning, veículos autônomos, drones e telemedicina. É o momento próprio, como vem sendo destacado pelo embaixador Yang Wanming, para deixar de ser um “Made in China”, uma fábrica do mundo, para ser um “Created in China”, ou  “Criado na China”, porque a inovação é a peça-chave dessa engrenagem. Os planos do governo chinês se referem ao “Made in China 2025” e nele foram selecionados dez setores prioritários-chave na área tecnológica para que até 2020 40% dos produtos de alto valor agregado constantes desses setores prioritários-chave fossem produzidos dentro do território chinês, passando a 70% até 2025. Em paralelo ao “Made in China 2025”, há o “China Standards 2035”, que estabelece mudanças de paradigma na área de tecnologia, definindo padrões globais para tecnologias emergentes como internet 5G, Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial, entre outras áreas. O “China Standards 2035” revolucionará protocolos e processos relacionados à área de tecnologia e o 5G, obviamente, vai ser um grande propulsor desse ambicioso projeto”.

José Ricardo dos Santos ressalta que a China investe 2,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB), estimado em US$ 14,1 trilhões (dados de 2019), em inovação. Por esse motivo, considera importante que se discuta no Brasil uma forma de retomada do relacionamento saudável ganha-ganha e de interdependência do Brasil com seu maior parceiro comercial que é a China.

O CEO do LIDE China finaliza afirmando que “tudo isso deve ser feito independentemente da relação que temos com o nosso segundo maior parceiro comercial, que são os Estados Unidos. Defendo que o Brasil não compre briga com nenhum de seus parceiros e em especial com a China e os Estados Unidos, mas que procure desenvolver e defender seus interesses domésticos nacionais nas relações bilaterais com ambos os países”.

Fonte: ConJur 


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