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É preciso impedir a aprovação do PL 948/2021, que institucionaliza o fura-fila da vacinação por empresários, e garantir condições para que todas e todos possam ficar em casa
350 mil. 350 mil amores de alguém, que partiram. Muitas dessas “partidas” evitáveis. Quantas? Não sabemos. O que sabemos é que milhares eram evitáveis. Evitáveis se fossemos um país menos desigual, sem uma condução da economia que arrasta milhões para a pobreza e enriquece alguns. Evitáveis se não tivéssemos no comando do país genocidas negacionistas que debocham da gravidade da pandemia e, portanto, da vida das pessoas que partiram e da dor de seus amores, que minimizam o uso de medidas simples como o da máscara, que se autodeclararam “médicos” para prescrever remédios ineficazes. Evitáveis se houvesse planejamento, se a experiência brasileira em enfrentar pandemias e com a vacinação em massa tivesse sido aproveitada. Evitáveis se o governo federal não se recusasse a exercer o seu papel constitucional de coordenação da política de saúde, em vez de promover ações descoordenadas que serviram de corredores para o vírus, além de contribuir para a falta de oxigênio e de medicamentos para o “kit intubação”.
350 mil mortes. Muitas evitáveis. Incompetência ou ação deliberada? A falta de coordenação adequada da maior política pública brasileira, com largo histórico de êxitos na condução da saúde em nosso país, só pode ser explicada se pensarmos que o grupo que está no poder tem a morte como projeto de nação, como instrumento de poder.
José Antonio Moroni
Membro do colegiado de gestão do Inesc e da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político
Fonte: Folha de São Paulo
