Às vésperas da Copa, EUA bombardeia Irã e os efeitos são diversos
A Copa do Mundo 2026 estreia nesta quinta-feira (11) e tem os Estados Unidos como país sede juntamente do México e Canadá. Enquanto os torcedores das nações se preparam para um momento de suposta celebração, com todos os olhos voltados aos EUA, o presidente Donald Trump segue realizando diversas ameaças de ataque ao Irã.
Em declarações feitas para jornalistas na Casa Branca, o republicano afirmou nesta quarta-feira (10) que as tropas americanas atingiram forte o país pérsico na última terça-feira (09) e eles seriam atingidos com novos bombardeiros hoje.
Na visão de Trump, o governo iraniano está “enrolando” os americanos.
“Estávamos realmente muito perto de um acordo, mas eles continuam nos enrolando. Eles continuam nos fazendo de otários porque, sabe de uma coisa? Eles lidaram com alguns presidentes muito estúpidos”, disse. Mais cedo, ele já tinha comentado sobre desistir de tentar um acordo de paz.
A derrubada de um helicóptero estadunidense no Estreito de Ormuz gerou retaliação pelo exército americano, alegando legítima defesa. A passagem está fechada desde fevereiro e os ataques impedem novas tentativas de transporte de cargas na região.
O Brasilianista já mostrou que os efeitos dos ataques não resultam somente nas estruturas iranianas ou sistema militar americano. Aumento da inflação, preços do petróleo e combustíveis em níveis estratosféricos, problemas de distribuição de alimentos e até mesmo crescimento dos valores de passagens aéreas para assistir à Copa são somente alguns efeitos.
Até mesmo o Brasil, forte exportador de petróleo, já toma medidas para minimizar os efeitos da guerra.
Subvenção do diesel no Brasil
O governo federal publicou na terça o Decreto 12.995 que regulamenta a concessão de subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro comercializado.
A subvenção é um subsídio econômico caracterizado por uma intervenção do Estado na economia. Com a decisão, a União começa a bancar parte do preço do diesel para evitar aumento de preços e garantir o abastecimento transferindo dinheiro para os importadores e os produtores desse combustível.
“O Brasil depende do diesel. É o que movimenta a nossa economia e tanto refinaria como importador tem que repassar esse valor como desconto no preço de venda. Na verdade, isso é mais como se fosse uma proteção ao importador e a refinaria para ele manter a margem de lucro e manter o fornecimento e ter a viabilidade econômica de operar com o diesel”, explicou Milton Fontes, advogado tributarista e sócio do Peixoto & Cury Advogados, à esta matéria de O Brasilianista.
Milhões de pessoas com alimentos bloqueados
Não é somente o petróleo que está comprometido, mas também o transporte de alimentos para cerca de 100 milhões de pessoas.
O Brasilianista mostrou que a região transporta boa parte das importações dos países do Golfo Pérsico. A Arábia Saudita importa mais de 80% dos seus alimentos, os Emirados Árabes Unidos cerca de 90% e o Catar cerca de 98%. No Iraque, a maior parte das importações de alimentos passa pelo Estreito de Ormuz.
Com a hidrovia efetivamente fechada, os transportadores de alimentos estão se esforçando para encontrar rotas alternativas, o que pode encarecer o valor logístico e diminuir a oferta de produtos às populações.
Aumento percentual de preço previsto com o fechamento do Estreito de Ormuz
Uma análise do Instituto de Kiel mostra que a disrrupção vai muito além do setor energético. Quando o fornecimento de energia é interrompido, os efeitos se propagam pela produção química até a agricultura. Os preços globais da energia sobem 5,4%, mas os preços dos alimentos acompanham com um aumento de 2,9% — bem acima do que os modelos comerciais padrão preveem.
