Após Fitch rebaixar nota do Master, taxas de CDBs disparam

Após Fitch rebaixar nota do Master, taxas de CDBs disparam

Após o veto do Banco Central da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), a agência de classificação de risco Fitch revisou a nota de risco da instituição de Daniel Vorcaro para negativa.

Com isso, as taxas dos CDBs do banco negociadas em plataformas de investimento, que já estavam em alta, passaram a subir ainda mais. Quando as taxas sobem, significa que há mais investidores tentando vender do que comprar esses papéis, refletindo a piora na avaliação do mercado sobre o banco.

A nota de longo prazo do Master pela Fitch caiu de B+ para B-, uma redução de dois níveis, do 14º para o 16º grau, numa escala de 21.

Em relatório divulgado na manhã desta quarta, a Fitch afirmou que a mudança na nota condiz com o cenário de risco traçado pela agência em abril passado, de que a transação com o BRB poderia não ser aprovada, “colocando pressão adicional sobre a liquidez do Master e seu acesso a captação”.

Segundo a Fitch, a nova nota do banco reflete a maior incerteza “quanto a sua estabilidade e a seu custo de captação, além do possível encurtamento de prazos e de condições de rolagem de captações mais restritivas”.

Juros dos CDBs do Banco Master

Na manhã desta quarta, os CDBs do Banco Master eram vendidos no mercado secundário (por investidores que já detém os títulos) em plataformas de investimentos com forte desconto no preço, o que eleva a taxa de rendimento. No ambiente de negociações da XP, por exemplo, aqueles vendidos eram marcados como papéis “de risco”.

No mercado secundário, era possível achar ofertas rendendo 180% do CDI, com prêmio de 29% sobre o IPCA ou a taxas fixas a 32% ao ano. A última emissão de CDBs pelo Banco Master foi realizada no início de maio, há quatro meses, com vencimento em 2027.

Para Eduardo Bruzzi, sócio do BBL Advogados, o movimento pode estar sendo ampliado por investidores que possuam volumes acima de R$ 250 mil, teto da garantia do FGC sobre aplicações e respectivos rendimentos em cada instituição bancária.

A gente tem investidores que não estão confortáveis com essa situação, mesmo diante de um instrumento (de segurança), e fazem a venda assumindo prejuízo. Ou nós temos investidores com valores acima de R$ 250 mil que podem estar liquidando na tentativa de manter até R$ 250 mil, tendo cobertura do FGC. Quem está exposto acima desse valor pode estar fazendo a venda para poder recuperar alguma coisa, pois isso não estará coberto lá na frente disse.

Além disso, alguns fundos de investimento e investidores institucionais têm limites para aplicação em ativos de risco. Com a redução de nota pela Fitch, podem estar vendendo os CDBs do Master para ajustar suas carteiras.

Vale lembrar que quem comprou CDBs do Master até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ tem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo garante que, em caso de insolvência de alguma instituição financeira, o investidor receba o valor aplicado sem perda de rentabilidade, ou seja, é pago o quanto era esperado de principal e rendimento na data em que ocorrer o resgate pelo FGC.

Leia em O Globo


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