A nota de R$200 acabou? Entenda porque é tão difícil de encontrá-la 

A nota de R$200 acabou? Entenda porque é tão difícil de encontrá-la 

Apenas 13% das cédulas previstas no ano passado estão em circulação. Segundo o Banco Central, a nota de R$ 200 não acabou e segue conforme o planejamento.

HELOÍSA VASCONCELOS

Em setembro do ano passado o Banco Central lançou a cédula de R$ 200, a primeira com um novo valor em 18 anos. Cinco meses após o lançamento, a moeda que estampa o lobo-guará ainda não chegou às mãos de muitos, deixando os consumidores com uma dúvida: a nota de R$ 200 acabou?

Segundo o Banco Central, estavam em circulação na última quarta-feira, 24, apenas 58.880.510 cédulas de R$ 200, cerca de 13% das 450 milhões que foram emitidas no ano passado.

À época, a criação da nova cédula teve o objetivo de resolver o problema da quantidade de dinheiro em circulação.

Devido à pandemia, o governo precisou de maior quantidade de papel moeda para realizar os pagamentos do auxílio emergencial. Ao mesmo tempo, muitos brasileiros guardaram dinheiro em casa diante de um cenário de imprevisibilidade, diminuindo o número de cédulas no mercado.

Mas, é possível que a moeda que foi criada durante a pandemia seja extinta logo que essa crise passe? Os brasileiros devem começar a ver o lobo-guará com maior facilidade?

A nota de R$ 200 acabou?

Em nota, o Banco Central afirmou que não trabalha com o cenário de recolhimento das cédulas de R$ 200. Conforme a autoridade financeira, a distribuição das notas segue o cronograma planejado.

“Qualquer nova denominação de cédula entra em circulação de forma gradual e de acordo com a necessidade. O ritmo de utilização da cédula de R$ 200 vem evoluindo em linha com o esperado, e deverá seguir em emissão ao longo dos próximos exercícios”, informa.

A consultora jurídica do Instituto de Estudos de Tecnologia e Ciclo de Numerário (ITCN), Mariana Chaimovich, explica que é normal que uma nova moeda entre em circulação aos poucos.

Segundo ela, é possível que sequer chegue ao mercado todo o contingente emitido caso não haja necessidade.

“Existe agora uma narrativa de que o Banco Central teria calculado mal [o número de cédulas]. Na época se fez uma estimativa. O BC não podia deixar a população sem dinheiro em espécie, uma porcentagem muito grande da população brasileira depende de dinheiro em espécie”, defende.

O fenômeno do PIX

Em setembro, o Banco Central lançou a cédula de R$ 200. E, em novembro, lançou o PIX, um sistema que possibilita transferências e pagamentos de forma gratuita no meio digital.

Só no primeiro mês de funcionamento, o Banco Central registrou 49,4 milhões de usuários na plataforma. Além disso, em janeiro, o número de transações por meio de PIX já era 5 vezes maior do que o com TED.

Para o economista e professor da FGV Mauro Rochlin, a digitalização dos meios de pagamento pode ser um dos motivos para a nova moeda não ter entrado com maior força no mercado.

“À medida em que há maior bancarização da população, os meios de pagamento mais difundidos, o dinheiro passa a circular menos”, aponta.

Apesar disso, Mariana ressalta o importante papel da cédula, principalmente considerando a população desbancarizada e que ainda não têm acesso a meios digitais de pagamentos.

“Essa nova nota facilita muito o transporte de valores entre instituições, facilita a logística no setor, facilita a levar esse numerário para a população que não tem acesso a meios digitais. Os meios digitais não são antagônicos ao dinheiro em espécie, são complementares e devem conviver em harmonia”, afirma.

Novas notas podem vir

Mauro considera que não há nenhum risco de a nota de R$ 200 ser extinta. Pelo contrário, a tendência, segundo ele, é que moedas de valor menor passem a ser obsoletas e que o Banco Central crie novas cédulas de valores ainda maiores.

Ele exemplifica a moeda de 1 centavo, que tinha relevância na época de criação mas que já entrou em desuso devido ao valor ter se tornado irrisório. Portanto, para ele, se for para alguma moeda entrar em extinção, seria a de 5 centavos.

A causa disso é a inflação, que apesar de estar apenas um pouco acima da meta do Banco Central, sobe a cada ano, corroendo o poder de compra.

“Se você pegar o valor da nota de R$ 50 na ocasião do lançamento e trazer para valores presentes, você vai ver que os R$ 50 reais de 1994 seriam equivalentes a R$ 320 hoje. Esses R$ 200 hoje representam um poder de compra menor do que os R$ 50 valiam no lançamento da cédula”, calcula.

Por fim, considerando o histórico da inflação no Brasil, o especialista projeta que as moedas terão cada vez um poder de compra menor. Dessa forma, isso pode tornar necessária a existência de notas com valores maiores para facilitar a logística de transporte de valores.

Fonte: iDinheiro 

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