Flávio Bolsonaro revê estratégia por ser baixa chance de eleição ser anulada, dizem especialistas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) mudou a estratégia jurídica e, em vez de pedir a anulação do segundo turno, deve buscar a cassação da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 51,79% dos votos no domingo (25), por abuso de poder econômico. Segundo a assessoria de imprensa do candidato, a campanha deve entrar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) – processo similar a um inquérito policial. O foco da campanha será na chapa adversária, não no processo eleitoral.
Para especialistas, a mudança na estratégia do candidato de ontem para hoje se deve à inviabilidade jurídica do pedido de anulação das eleições, medida que Flávio havia dito que tomaria na noite de domingo. O senador afirmou ser “impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que as coisas aconteceram”. A votação foi estendida até as 19h pela primeira vez, após um primeiro pedido de Lula, por conta da redução das frotas de ônibus em algumas cidades, e do próprio Flávio, pelas chuvas.
O outro caminho que pode ser adotado pela campanha de Flávio, de pedir a cassação por abuso de poder, deve ser difícil de ter êxito. O pedido, se vier, deve ser embasado no anúncio dos “pacotes de bondades” durante a campanha, como o reajuste do Bolsa Família, perdão das dívidas e aumento do teto de faturamento para os MEIs. “Acho muito pouco provável que isso seja considerado ao ponto de derrubar uma chapa”, diz Eduardo Sant’Anna, especialista em direito constitucional e eleitoral do escritório Furtado, Simões e Sant’Anna Advogados.
