Especialista vê risco em fundir debate de regulações de IA e plataformas

Especialista vê risco em fundir debate de regulações de IA e plataformas

A Câmara dos Deputados instalou na última terça-feira, 20, a comissão especial que analisará o projeto de regulamentação da inteligência artificial no Brasil. Para alguns especialistas, contudo, é importante que a Comissão Especial não misture os debates sobre regulação de plataformas e regulação do uso da Inteligência Artificial no Brasil.

Um desses especialistas é o advogado Daniel Becker, sócio das áreas de Contencioso e Arbitragem, Proteção de Dados e Inteligência Artificial do BBL Advogados. Becker alerta para os riscos de misturar os dois temas, erro que na sua leitura já teria comprometido o debate sobre o PL das Fake News.

“A preocupação legítima com desinformação acabou diluída por um esforço paralelo – e mal calibrado – de controlar o poder econômico das plataformas”, diz. “São temas diferentes, com fundamentos normativos distintos e desafios próprios. Misturá-los tende a gerar soluções que não resolvem nenhum dos problemas”, disse.

Para Becker, a regulação da IA deve focar nos sistemas, em seus usos concretos e nos impactos reais, e não na tecnologia em si. “A IA não é um artefato estático. O risco não está na tecnologia, mas em como ela é projetada, aplicada e direcionada”, explica.

A proposta que chega à Câmara foi aprovada pelo Senado em 2024, sendo apresentada pelo então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), com base em sugestões de especialistas.

Governança responsável

Becker defende um modelo de “autorregulação regulada” no uso de IA, no qual setores privados proponham protocolos técnicos e medidas de mitigação, com supervisão estatal.

“Inovação responsável se faz com regulação inteligente, não com rigidez normativa”, afirma. Entre as prioridades, ele cita transparência algorítmica, boas práticas setoriais e padrões claros de diligência para desenvolvedores e operadores de sistemas de IA.

O advogado também ressalta que até a União Europeia, pioneira na regulação com o AI Act, reconhece os limites da abordagem puramente legalista. “A Comissão Europeia deve lançar em breve um Código de Boas Práticas em parceria com o GPAI, complementando o AI Act com diretrizes mais ágeis”, diz. “Isso mostra a necessidade de combinar leis formais com mecanismos flexíveis de governança.”

Abordagem equilibrada

Para Becker, o Brasil tem a chance de adotar uma abordagem equilibrada, que proteja direitos sem sufocar a inovação. “Precisamos regular impactos, não a tecnologia em abstrato”, afirma. “Isso exige escuta ampla, construção técnica e coragem para focar nos riscos reais.”

Enquanto o Congresso e o governo federal discutem propostas para a IA, o alerta é claro: evitar atalhos que misturem regulações distintas pode ser crucial para o sucesso do marco legal brasileiro, diz o advogado.

Leia em: TeleTime


Posts relecionados

Brasileiros com cidadania europeia podem morar nos EUA

Suzana Castelnau, do DSA Advogados, falou ao Poder 360

STJ limita distribuição de dividendos sobre benefícios

Renato Silveira, sócio do Machado Associados, falou ao Broadcast do Estadão

Fale conosco

Endereço
Rua Wisard, 23 – Vila Madalena
São Paulo/SP
Contatos

(11) 3093 2021
(11) 974 013 478