Logo Estadão

O mercado jurídico e o racismo estrutural

O mercado jurídico e o racismo estrutural

A perpetuação do racismo estrutural e institucional impediu e continua impedindo que os negros ocupem lugares de destaque e de protagonismo na sociedade e no mercado de trabalho.

Ao observarmos os dados sobre emprego, vemos que menos de 3% de mulheres e homens negros ocupam cargos de liderança e de gerência, isso de acordo com uma pesquisa de 2015 do PNAD/IBGE.

Ao olharmos especificamente para o meio jurídico, apenas 1% dos advogados dos grandes escritórios são negros, de acordo com um levantamento feito em 2018 pela CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades).

Em dados mais recentes, a 2ª Edição da Análise Advocacia Diversidade e Inclusão 2022, trouxe o seguinte panorama: 11% dos escritórios pesquisados não têm advogados negros na equipe, apenas 5% dos escritórios pesquisados possuem processo seletivo exclusivo, a pesquisa ainda aponta que apenas 13% das bancas de advocacia possuem planos de carreiras focados em grupo social específico e, por fim, 46% dos advogados autodeclarados negros não ocupam cargo de sócio nas bancas.

As estatísticas acima reforçam o quão o racismo e a desigualdade social afetam a colocação dos negros no mercado de trabalho em posições de liderança e, consequentemente, nas bancas de advocacia.

Neste dia 20/11 é celebrado o Dia da Consciência Negra e, para além de celebrar e valorizar a cultura negra, também é um momento propício e oportuno para conscientização de todos os envolvidos a necessidade de práticas antidiscriminatórias, com enfoque na colocação de homens e mulheres negras em posição de liderança e mais oportunidades no mercado de trabalho jurídico.

São necessárias ações afirmativas, como a criação de processos seletivos visando a contratação de advogados negros, a criação de políticas e incentivos para retenção dos advogados negros no escritório, além da criação de programa de talentos visando a contratação de estagiários negros com plano de carreira no escritório.

O papel institucional das empresas e dos escritórios de advocacia é fundamental para mudança do panorama e da perspectiva do negro enquanto trabalhador e advogado.

Algumas bancas e empresas, por outro lado, diante da absoluta consciência de sua responsabilidade social já adotam práticas inclusivas, mas o caminho para igualdade é longo e sinuoso. No entanto, com oportunidades, é certo que os talentos estrão no lugar merecido.

*Ederson Chaves, advogado do Meira Breseghello Advogados

Fonte: Estadão


Posts relecionados

Logo Conjur
Vetos de Bolsonaro podem reduzir eficácia de marco legal do saneamento básico

Especialistas, ouvidos pela ConJur, avaliam os vetos do presidente Jair Bolsonaro ao projeto...

Logo Estadão
Hipóteses de extinção de acordo de sócios e efeitos jurídicos

Confira o artigo de Carolina Xavier da Silveira Moreira, do Costa Tavares Paes...

Fale conosco

Endereço
Rua Wisard, 23 – Vila Madalena
São Paulo/SP
Contatos

(11) 3093 2021
(11) 974 013 478