Sérgio Torres assumirá presidência da Academia Brasileira de Direito do Trabalho
O desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) Sérgio Torres Teixeira assumirá, no próximo dia 28 de maio, a presidência da Academia Brasileira de Direito do Trabalho (ABDT), tornando-se o primeiro pernambucano a ocupar o cargo em quase cinco décadas da instituição.
A posse será no Recife Expo Center, no Cais de Santa Rita, dentro da programação do 40º Colóquio de Direito e Processo do Trabalho, que reunirá magistrados, advogados, acadêmicos e ministros de tribunais superiores nos dias 28 e 29 de maio.
Em visita à Folha de Pernambuco na manhã desta sexta-feira (15), o jurista foi recebido pela vice-presidente do jornal, Mariana Costa; pelo diretor-executivo, Paulo Pugliesi; e pelo diretor-operacional, José Américo Góis. Durante o encontro, Torres compartilhou detalhes sobre o 40º colóquio, evento que reunirá acadêmicos de Direito de todo o país.
Segundo ele, além da cerimônia de posse, aberta ao público a partir das 17h do dia 28, o evento, que traz como tema “O novo mundo do trabalho a partir de Recife”, terá uma programação científica voltada às transformações nas relações trabalhistas, com debates sobre inteligência artificial, burnout digital, pejotização, plataformas digitais e os impactos econômicos de mudanças nas jornadas de trabalho, como as escalas 6×1 e 5×2.
Ao falar sobre a chegada à presidência da ABDT, Sérgio Torres destacou o simbolismo da escolha para Pernambuco.
Segundo o desembargador, o 40º colóquio também busca reforçar o protagonismo pernambucano na produção jurídica nacional.
“Nós somos um celeiro de grandes profissionais do Direito. Eu viajo muito, conheço outras comunidades jurídicas e asseguro que o nível dos profissionais que Pernambuco forma é altíssimo. Temos advogados excelentes, juízes maravilhosos e uma tradição jurídica muito forte”, disse o desembargador, que também é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap).
Torres afirmou que um dos diferenciais da Academia Brasileira de Direito do Trabalho é a pluralidade de pensamentos entre os integrantes da instituição.
“A academia é extremamente plural, tanto regionalmente quanto ideologicamente. Temos pessoas com pensamentos muito diferentes, mas que convivem com extrema harmonia e respeito. Eu gostaria que a sociedade tivesse um reflexo da academia em relação ao respeito por quem pensa diferente”, declarou. “Vamos ter debates sobre temas sensíveis, com posições diversas, porque nós gostamos de fomentar o debate”.
Programação
A programação do colóquio contará com a presença de ministros de tribunais superiores e autoridades do meio jurídico. Entre os destaques estão as discussões sobre jurisprudência, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e os efeitos dessas decisões nas relações de trabalho.
Entre os nomes confirmados está o advogado-geral da União, Jorge Messias, ex-aluno de Sérgio Torres. Outro eixo central do encontro será o avanço da inteligência artificial nas relações de trabalho e no Judiciário. Entusiasta do tema, o desembargador defendeu o uso da tecnologia como ferramenta de apoio, mas alertou para os riscos da utilização indiscriminada.
O magistrado também demonstrou preocupação com vieses discriminatórios e manipulações envolvendo sistemas de inteligência artificial. “Muitas vezes ocorrem alucinações e vieses. Quem usa precisa ter senso crítico e responsabilidade. Não pode banalizar o uso da IA e simplesmente delegar o trabalho para depois apenas revisar superficialmente”, disse.
Segundo ele, o debate sobre tecnologia e trabalho deve se intensificar nos próximos anos, especialmente diante das mudanças provocadas pelas plataformas digitais e pela automação.
“O trabalho por plataformas já envolve várias formas de inteligência artificial. Isso faz parte da realidade do Direito do Trabalho hoje”, destacou.
Expansão
Além do colóquio deste mês, Sérgio Torres antecipou que o Recife deverá receber, em 2027, um evento internacional da área trabalhista, organizado em parceria com uma sociedade jurídica europeia. A expectativa é reunir especialistas estrangeiros para discutir experiências internacionais relacionadas às novas formas de trabalho e regulamentação digital.
