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Os porquês da nota de R$ 200

Os porquês da nota de R$ 200

 

Fernando Rei*

02 de setembro de 2020 | 07h30

 

Fernando Rei. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Brasil receberá nesta semana a mais nova cédula da família do real: a nota de R$ 200. Segundo o Banco Central, longo de 2020, deverão entrar em circulação 450 milhões de unidades, o equivalente a R$ 90 bilhões. A novidade deu ensejo a um debate a respeito da política monetária nacional, com especulações sobre a confiabilidade da moeda, taxas de inflação, comportamento do meio circulante durante a pandemia e até sobre as prioridades do BC frente ao futuro dos meios de pagamento. Diversas manifestações contrárias à nova nota vêm sendo divulgadas.

É necessário analisar, entretanto, que a medida faz parte do planejamento do país em seu sistema de metas de inflação, que o real é moeda confiável, e que a renovação do meio circulante é prática saudável para a economia. O surgimento do real em 1994 permitiu controlar a hiperinflação, manter a estabilidade, valorizar o salário mínimo e construir um mercado financeiro em constante crescimento no país. A criação da nova nota nada tem a ver com expectativa de inflação descontrolada, mas, justamente, relaciona-se com a boa gestão do plano de metas por parte do BC, que previa, eventualmente, notas de valores nominais mais altos. Esta é a primeira vez que o valor máximo do real é elevado, desde a sua criação, há 26 anos.

O saneamento e a modernização do meio circulante são práticas essenciais, levadas a cabo continuamente pelas autoridades monetárias, para garantir que o dinheiro continue cumprindo seu papel, atendendo às necessidades da população. Segundo relatório do Banco Central de 2018, o dinheiro é aceito como meio de pagamento em 99% dos estabelecimentos comerciais, é a forma de pagamento mais utilizada por 60% dos cidadãos e 29% das pessoas ainda recebem seu salário em espécie. A criação de uma cédula com denominação mais alta facilita as trocas comerciais e aprimora a capilaridade da distribuição de numerário no país – operação que, no Brasil, é bastante desafiadora, devido as suas dimensões continentais. Com a nota de R$ 200, o dinheiro chegará à população de maneira mais eficiente, mais rápida.

O tamanho do território nacional faz que o transporte seja, hoje, a parte mais custosa da cadeia de gestão de numerário, e as regiões mais afastadas, as mais vulneráveis à escassez de moeda. Essa renovação é especialmente importante para estas regiões, afastadas dos grandes centros, onde os meios de pagamento digitais ainda não são comuns, e a população depende do meio circulante para fazer transações.

Ao anunciar a novidade, o Banco Central informou que o lançamento da cédula estava previsto para os próximos anos. Contudo, a atual pandemia alterou de maneira significativa a relação do brasileiro com o dinheiro em espécie não só neste ano, como também em 2021. O crescimento do entesouramento, ou reserva de dinheiro em casa, processo normal e esperado em momentos de crise; a diminuição da velocidade de circulação de dinheiro, com respectivo aumento do valor dos saques em caixas eletrônicos e maior demora de retorno deste dinheiro ao sistema; e o aumento da demanda por papel-moeda, com os saques do auxílio governamental de R$ 600, obrigaram a antecipação deste cronograma monetário.

O Banco Central reforça, no entanto, que a medida é preventiva, pois não há risco de falta de numerário no país. Percebemos, assim, que a chegada da cédula de R$ 200 está inserida no planejamento de metas de inflação, viabiliza a modernização do numerário, melhora a operação de distribuição e faz parte de processo de valorização e crescimento dinheiro em espécie, que teve sua importância aumentada durante o período de crise provocada pela COVID-19, e que será essencial para a retomada da economia nos meses seguintes.

*Fernando Rei é diretor executivo do Instituto de Estudos Estratégicos de Tecnologia e Ciclo de Numerário (ITCN)

Fonte: Portal Estadão 


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