Horário eleitoral na TV e no rádio começa nesta sexta com Lula em vantagem sobre Flávio
O horário eleitoral gratuito das eleições de 2026 começa nesta sexta-feira, 28, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na divisão do tempo destinado aos candidatos à Presidência no rádio e na televisão. Lula terá 5 minutos e 31 segundos em cada bloco, 27% a mais que os 4 minutos e 20 segundos destinados ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
A divisão consta no plano de mídia publicado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira, 27, no Diário da Justiça Eletrônico. A Resolução nº 23.776/2026 estabelece os tempos das candidaturas, a ordem dos programas, a distribuição das inserções e as regras para o envio dos materiais pelas campanhas.
A propaganda no rádio e na televisão seguirá até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a participar das eleições deste ano.
A vantagem de Lula está ligada à composição da coligação Brasil Pronto pra Mais, formada por PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV —, PSOL e Rede. O petista foi o único candidato à presidência que atraiu aliados para apoiar formalmente a campanha. Flávio disputa a eleição pelo PL sem uma coligação nacional com outras siglas. O senador do PL esbarrou nas disputas dos diretórios regionais dos partidos do centrão, que apoiam Lula no Nordeste.
Dos 12 minutos e 30 segundos de cada bloco presidencial, a coligação de Lula ficará com 44,1% do total, enquanto o PL terá 34,7%.
• Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — 5 minutos e 31 segundos
• Flávio Bolsonaro (PL) — 4 minutos e 20 segundos
• Ronaldo Caiado (PSD) — 2 minutos e 2 segundos
• Augusto Cury (Avante) — 35 segundos
Cada bloco presidencial terá 12 minutos e 30 segundos. Os demais candidatos não terão tempo de TV por não atingirem a cláusula de barreira.
O resultado oficial fica próximo de uma projeção elaborada anteriormente para a EXAME por Edson Borowski, cientista político e membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep); Anne Silva Cabral, vice-presidente da entidade; e Eduardo Sant’Anna, advogado e mestre em direito constitucional pela USP. O cálculo, feito antes da definição do plano pelo TSE, já apontava uma diferença de 27% entre Lula e Flávio.
Caiado terá 2 minutos e Cury, 35 segundos
O terceiro maior espaço ficará com Ronaldo Caiado (PSD), com 2 minutos e 2 segundos por bloco. Augusto Cury (Avante) terá 35 segundos.
Lula terá cerca de 2,7 vezes o tempo de Caiado e 9,5 vezes o espaço de Cury em cada bloco.
No primeiro dia, a ordem de exibição será Avante, PSD, PL e a coligação Brasil Pronto pra Mais. A sequência foi definida por sorteio. Depois, haverá rodízio: quem aparecer por último passará para a primeira posição na transmissão seguinte.
Os tempos foram calculados conforme os critérios da Resolução TSE nº 23.610/2019 e levam em conta a representação na Câmara dos Deputados dos partidos que integram as candidaturas.
Lula também terá mais inserções
Além dos programas em bloco, as emissoras deverão reservar 70 minutos diários, entre 5h e meia-noite, para inserções de 30 ou 60 segundos das campanhas aos diferentes cargos. Desse total, 14 minutos por dia serão destinados à disputa presidencial.
Ao todo, serão 980 inserções de 30 segundos para as candidaturas à Presidência. A coligação de Lula terá 434 inserções, ante 339 do PL, 160 do PSD e 47 do Avante.
Duas inserções que sobraram após a aplicação da fórmula foram destinadas, por sorteio, ao PSD e à coligação Brasil Pronto pra Mais.
Horário eleitoral ainda tem peso na campanha
Apesar do avanço das redes sociais nas estratégias eleitorais, o rádio e a televisão continuam como instrumentos de exposição das candidaturas e de disseminação das mensagens das campanhas.
Como mostrou a EXAME, o horário eleitoral ainda tem valor para as campanhas, embora o maior tempo de exposição no rádio e na televisão não seja, isoladamente, garantia de vitória.
O histórico das eleições presidenciais mostra que a candidatura com mais tempo de televisão nem sempre termina a disputa na frente.
Em 2018, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB, tinha 5 minutos e 32 segundos em cada bloco, o maior espaço entre os presidenciáveis. Jair Bolsonaro, então no PSL, dispunha de apenas oito segundos. Bolsonaro venceu a eleição, enquanto Alckmin terminou o primeiro turno na quarta posição.
Em 2022, Lula teve o maior tempo no primeiro turno, com 3 minutos e 39 segundos, contra 2 minutos e 38 segundos de Bolsonaro. O petista venceu a eleição no segundo turno.
Como funciona a divisão do horário eleitoral
A legislação vincula a maior parte do tempo disponível no rádio e na televisão à representação dos partidos na Câmara dos Deputados. Por isso, alianças que reúnem siglas com bancadas maiores ampliam o espaço disponível para uma candidatura.
Também é necessário cumprir a cláusula de desempenho, regra constitucional que estabelece critérios mínimos de votação ou representação parlamentar para que os partidos tenham acesso à propaganda eleitoral gratuita.
O plano de mídia poderá mudar caso algum partido, federação ou coligação deixe de ter candidato à Presidência ou uma decisão da Justiça Eleitoral altere a composição das chapas. Se houver segundo turno, o TSE fará uma nova divisão do tempo entre os dois candidatos.
