Novas regras do trabalho aos domingos e feriados começam a valer em julho
A partir de 1º de julho de 2025, o trabalho no setor do comércio aos domingos e feriados passará a ser regido por novas normas. O Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu que a definição do expediente nesses dias deve ser feita por meio de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com exceção das feiras livres. Essa mudança visa formalizar os requisitos para o trabalho nesses dias, conforme explica André Blotta Laza, especialista em direito trabalhista.
Segundo Laza, a Portaria nº 3.665/2023, editada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, exige que a autorização para o trabalho aos domingos e feriados seja feita obrigatoriamente através de um instrumento coletivo, ou seja, mediante negociação com o sindicato profissional. Essa medida representa uma mudança significativa em relação à regulamentação anterior.
Em 2021, a Portaria MTE nº 671/2021 permitia maior flexibilidade para o trabalho aos domingos. Essa portaria autorizava o trabalho em diversos setores, especialmente no comércio, a partir de uma simples negociação individual entre empregador e empregado. Assim, as partes podiam decidir sobre o trabalho nesses dias sem a necessidade de envolver os sindicatos.
A mudança para a nova portaria foi motivada por reclamações de sindicatos, que argumentavam que a legislação trabalhista estava sendo desrespeitada. Eles defendiam que os empregados do comércio deveriam ter o direito de negociar as condições de trabalho aos domingos e feriados de forma coletiva.
Quais são os impactos da nova portaria?
A nova regulamentação visa consolidar as negociações coletivas, mas também pode trazer desafios. Segundo especialistas, a Portaria MTE nº 3.665/2023 pode ser vista como um retrocesso, pois limita a flexibilidade das empresas em gerenciar sua força de trabalho para atender às demandas específicas do setor. Isso pode dificultar a operação de empresas ligadas ao comércio e, potencialmente, encarecer produtos e serviços para o consumidor final.
Por outro lado, a medida fortalece o papel dos sindicatos na negociação das condições de trabalho, garantindo que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. Essa mudança busca equilibrar as necessidades dos empregadores com a proteção dos direitos dos empregados.
O que esperar do futuro?
Com a entrada em vigor da nova portaria, espera-se que as negociações coletivas se tornem mais frequentes e que os sindicatos desempenhem um papel mais ativo na definição das condições de trabalho no comércio. Essa mudança pode levar a um cenário onde as condições de trabalho sejam mais padronizadas e os direitos dos trabalhadores sejam mais protegidos.
No entanto, é importante que as empresas e os sindicatos trabalhem juntos para encontrar soluções que atendam às necessidades de ambos os lados, garantindo que o setor do comércio continue a prosperar enquanto respeita os direitos dos trabalhadores.
