Venture capital: investidor de 3 unicórnios brasileiros conta como funciona
Os fundos de venture capital investem em empresas de médio porte com alto potencial de crescimento, mas que ainda não têm um faturamento tão alto. Além de injetar capital, o fundo também pode ajudar na gestão do negócio visando uma futura venda de participação acionária.
“Nesses fundos os investidores tomam decisões de médio a longo prazo, com um investimento inicial maior do que em normalmente é feito no mercado financeiro, por exemplo, mas sofrem mais oscilações. Por outro lado, quando acontece, rendem muito mais”, explica Guga Stocco, co-fundador da Futurum.Capital, um fundo de venture capital de alta tecnologia.
Ele é o convidado do novo episódio do MoneyPlay Podcast, programa voltado para o mundo das finanças, apresentado pelo educador financeiro Fabrício Duarte. Nele, conta que alguns investimentos dão retorno de até 80% por mês, mas que é preciso reinvestir sempre para o negócio não morrer.
“Mas quando vendemos a empresa, o múltiplo é de dez vezes o faturamento”, afirma o investidor que apostou em três unicórnios brasileiros: Gympass, Loggi e Hotmart. “Não existe investimento em bolsa que consiga bater essa lucratividade, o problema é o risco.”
Riscos do venture capital
Se o investidor alocar todos os seus investimentos em apenas uma empresa e ela der errado, ele perde todo o dinheiro investido. Por isso, esses fundos investem em várias empresas para compensar. Isso reduz a margem, mas ela ainda é muito maior do que o retorno no mercado financeiro.
Stocco, que também é membro dos conselhos de administração da Falconi Participações, Totvs, Vinci Partners, Banco Original e Grupo Dasa, conta que, quando se monta um fundo, os gestores captam dinheiro de terceiros e montam uma tese que se torna uma espécie de contrato que o fundo precisa cumprir, seguindo as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“O objetivo é montar a tese e extrair o máximo possível dela, sem burocratizar o formato e perder oportunidades”, diz o especialista, que começou a carreira em um banco de investimento, trabalhou em grandes empresas, como Microsoft e Buscapé, e já passou por três fundos de venture capital.
Como escolher
No programa, ele conta como é o seu processo de análise de empresas. “Primeiro é uma decisão técnica: é preciso saber se o empreendedor dá conta, qual é o time, se o negócio tem capital etc.”, diz. “Se não cumpre esses requisitos, o risco aumenta demais.” Depois, explica, tem que contar com a intuição, baseada na experiência, para ver se o negócio faz sentido. “E isso só se consegue com o tempo.”
Stocco conta que o investimento é feito em etapas. Primeiro, desenvolve-se o MVP (produto mínimo viável, em português). “Se não funcionar, saio da empresa”, afirma. Em qualquer etapa, é fundamental a parte humana. “Produto ruim com pessoas boas gera um bom produto, pois elas conseguem ajustar o MVP. Produto bom com pessoas ruins, não tem produto.”

